O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, detalhou as duas medidas econômicas adotadas pelo estado para mitigar as tarifas dos EUA

Marcelo S. Camargo/Governo de SP/ Divulgação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), detalhou, nesta quinta-feira (24/7), as medidas adotadas pelo governo para mitigar o impacto do “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Brasil. Tarcísio já reconheceu que as tarifas devem ter “impacto negativo” à indústria de São Paulo.
O governo paulista deve liberar R$ 1 bilhão em devolução de ICMS para exportadoras. Segundo o governador, o valor pode ser ampliado. A medida foi mencionada, nesta semana, em discursos do governador na capital e em Rio Claro (SP), mas os valores ainda não haviam sido detalhados.
“A gente vai fazer uma grande liberação de crédito ICMS acumulado. Como os créditos são acumulados geralmente pelos exportadores, a nossa ideia é fazer essa liberação. Vamos começar com R$ 1 bilhão, podendo também evoluir e chegar a um valor maior”, explicou o governador.
A gestão Tarcísio também vai disponibilizar R$ 200 milhões em créditos com juros subsidiados. A linha de empréstimo foi batizada de “Linha Giro Exportador” e foi lançada por meio da agência de fomento Desenvolve SP. A medida tem o objetivo de “mitigar os efeitos econômicos da nova tarifa, que pode ser aplicada pelo governo americano, e preservar a competitividade”, segundo o governo do estado.
“A nossa ideia é dar suporte para as empresas que vão precisar de recursos nesse momento”, afirmou o governador.
Condições da nova linha de crédito
• Taxas a partir de 0,27% ao mês + IPCA
• Prazo de até 60 meses para pagamento
• Carência de até 12 meses (inclusa no prazo total)
• Limite de financiamento: até R$ 20 milhões por cliente
Governador aposta em diálogo
O governador disse também que conversa com agentes políticos e empresários americanos para tentar reverter a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros, que segundo Trump, passariam a valer no dia 1º de agosto.
“A gente não deixou de fazer conversas com parlamentares americanos, com empresas americanas, tentando achar um caminho de interlocução para ajudar a ter um bom desfecho, porque a gente sabe quantas essas tarifas vão ser prejudiciais para as nossas empresas, para os nossos produtores rurais”, afirmou Tarcísio em Sorocaba.
O discurso no interior de São Paulo já foi modulado desde a primeira manifestação de Tarcísio sobre as taxas anunciadas por Trump em 9 de julho. No mesmo dia, Tarcísio havia dito que a taxação era resultado da postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia colocado “sua ideologia acima da economia”.
O discurso foi mal visto por representantes do setor produtivo, que viram que Tarcísio politizou o assunto, ao tentar se equilibrar entre os desejos da família Bolsonaro e os interesses de São Paulo.
Para informar sobre a taxação, o presidente americano enviou uma carta ao governo brasileiro em que citava uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro (PL). Tarcísio recuou no dia seguinte e classificou a taxação como “deletéria”.
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